sábado, 17 de maio de 2008

Nascem os rios no mar?

Entre Cafés. Sim, entre cafés foi onde tudo começou. Onde hoje tudo continua, contudo noutros cafés, noutras paragens, noutras andanças.
Sentamo-nos e ficamos indubitavelmente a observar tão curioso mundo.
Universo repleto de mudanças este. Nele, sentados a beber um café, reparamos que estamos rodeados de gente. Gente louca e insana, gente extraordinária e soberba, gente embriagada e resplandecente. Individualidades que nos passam desapercebidas... Aprendemos a apreciar o louco da esquina e o excêntrico vizinho de mesa.
Vemos o que temos e perguntamos: Quem sou? O que faço eu aqui? E para onde vou? Eternas perguntas, efémeras duvidas. Será?
Enquanto isto, o tempo passa. Ele passa por nós, nós passamos por ele… O cigarro morre lentamente no local do crime.

Há vocábulos nossos, meus e teus, do mendigo do banco do rossio e da senhora de má fama do alto da avenida. Cada uma dessas palavras (todas iguais ao primeiro olhar) têm sentidos distintos.

Para mim soberbo, curioso e interessante.
Minha mesa no Café,
Quero-lhe tanto... A garrida
Toda de pedra brunida
Que linda e fresca é!

Um sifão verde no meio
E, ao seu lado, a fosforeira
Diante ao meu copo cheio
Duma bebida ligeira.

( ... )

Nos cafés espero a vida
Que nunca vem ter comigo:
— Não me faz nenhum castigo,
Que o tempo passa em corrida.

Passar tempo é o meu fito,
Ideal que só me resta:
Pra mim não há melhor festa,
Nem mais nada acho bonito.

— Cafés da minha preguiça,
Sois hoje — que galardão! —
Todo o meu campo de acção
E toda minha cobiça.